Carla Perez, eternizada pelo público como a loira do Tchan, vive um momento de virada. Depois de três décadas ligadas ao Carnaval e mais de 20 anos comandando o bloco infantil Algodão Doce, a artista decidiu que 2026 marcará sua despedida da folia. A notícia, que pegou muitos fãs de surpresa, veio acompanhada de emoção e de um motivo pessoal forte.
“Fico com o coração partidinho”, lamentou Carla, ao explicar que agora deseja colocar a família e o bem-estar em primeiro lugar. “Eu estava adoecendo.”
A declaração apareceu em entrevista a João Augusto Liberato, exibida no Domingo Espetacular, da Record. No papo, Carla falou de forma aberta sobre a necessidade de desacelerar e escolher um novo ritmo de vida, mais próximo dos filhos e do marido.
“Eu fiz essa escolha por saúde mental mesmo. Estar com meus filhos, com meu marido, cuidar da minha família, ficar mais próxima”, disse ela, ao ser questionada sobre sua vida cada vez mais discreta.
Último Carnaval no Algodão Doce e um novo ciclo
Carla contou que já sente, aos poucos, essa mudança acontecer. Segundo ela, a despedida do Algodão Doce simboliza o encerramento de uma fase que durou um quarto de século.
“E cada vez mais eu estou fazendo isso. Tanto que esse é o meu último Carnaval à frente do Algodão Doce. Fico com o coração partidinho, mas foi o que eu falei, eu tô cada vez mais cuidando de mim. E sinto necessidade”, afirmou.
Além disso, a artista sugeriu que já pensa em quem pode dar continuidade ao projeto voltado para o público infantil. Carla prefere abrir espaço para novas gerações e acredita que o Carnaval também precisa se renovar.
“Acho que tem tudo o seu tempo, a sua hora. E tem tanta gente bacana, nova, chegando por aí. Temos que dar espaço para que elas estejam trabalhando. Tenho uma pessoa em mente que eu acho que pode continuar o legado do Carnaval para as crianças, mas de uma forma diferente”, provocou.
Mesmo assim, ela não descarta seguir ligada à festa, ainda que longe dos holofotes. “E eu fico mais nos bastidores também, que eu amo (risos).”
Uma trajetória de trabalho desde a infância
Carla Perez também relembrou que sua relação com o trabalho começou cedo. Antes da fama, ela já ajudava a família e buscava independência financeira ainda criança.
“Mas é um momento meu. Eu sempre trabalhei, desde pequenininha. Minha mãe colocava fantasia em mim e nos meus irmãos para vender, na rua, de camelô”, recordou.
A dançarina contou que, desde então, nunca parou. “Desde ali, eu sempre quis trabalhar e ter meu dinheiro. Tive uma barraca de brinquedos que meu pai deixava comigo, e fui indo, fui indo, até entrar no Gera Samba”, lembrou.
O sucesso nacional veio com o grupo que depois se transformou no É o Tchan, fenômeno dos anos 1990. No entanto, Carla reconhece que, ao longo da vida, colocou muitos à frente de si mesma.
“Desde lá, eu sempre trabalhei muito e sempre cuidei de toda a minha família. Chegou um momento em que eu falei: ‘Está na hora de eu cuidar mais de mim’. Porque eu sempre fiz tudo por todo mundo, e eu estava adoecendo”, reconheceu.
Carla avaliou que saber parar exige coragem. “Chega uma hora em que você tem que falar: ‘Está na hora de sair’. É muito difícil encontrar esse momento de dar uma pausa ou sair bem.”
A artista também destacou o peso simbólico de cada etapa. “Tive meu ciclo no Gera Samba, que virou É o Tchan, depois no SBT, depois com o infantil, são 25 anos só de Algodão Doce… E meus filhos precisam de mim. O futuro são eles!”
Eterna Loira do Tchan
Por fim, Carla brincou sobre o rótulo que a acompanha até hoje. Apesar de ser lembrada como a loira do Tchan, ela passou apenas dois anos no grupo.
“Foi o suficiente para aquele time, porque não foi só a loira, a morena, o Jacaré, era um time…”, ressaltou.
Segundo ela, o impacto permanece. “Deu tão certo que a gente tem um legado até hoje. Tanto que eles fazem os eventos e funciona até hoje, mesmo com outras dançarinas, eles conseguem fazer um trabalho muito bacana. Fazem festas que lotam.”
Fonte OFuxico