“Três Graças” decidiu abandonar qualquer pudor narrativo e flertar abertamente com o imaginário do crime real. No desfecho reservado a Célio (Otávio Müller), a novela aposta em um humor macabro que remete diretamente ao caso Elize Matsunaga, eternizado recentemente na série “Tremembé”, do Prime Video. A trama transforma a mansão de Arminda em algo próximo a uma cela improvisada, onde não há saída, piedade ou testemunhas confiáveis.
Após ser assassinado por Arminda (Grazi Massafera), Célio não terá direito nem ao clichê do desaparecimento conveniente. Pelo contrário. O corpo será esquartejado, em uma sequência que mistura tensão, ironia e choque, elevando o tom da novela e jogando o público em uma espiral desconfortável, porém hipnótica.
Se Arminda acredita ter domínio da situação, Helga (Kelzy Ecard) rapidamente toma as rédeas do caos. A cuidadora revela sua face mais sinistra ao se oferecer para resolver o “problema” e ainda confessa, com naturalidade assustadora, experiência prévia no assunto, já tendo destrinchado três ex-maridos.
A frieza da personagem provoca um raro momento de hesitação em Arminda. Ao perguntar se há uma “faca bem pontuda na cozinha”, Helga quebra qualquer ilusão de limite. Horrorizada, a dona da mansão reage e questiona se a cúmplice pretende “desossar o morto feito um peru de Natal” em plena sala. A cena combina humor ácido e crueldade explícita, ampliando o impacto dramático.
Sem alterar o tom, Helga solta outra frase que pesa no ambiente. Ela afirma que matar não é difícil, o complicado é sumir com o corpo. A partir daí, a mansão deixa de ser cenário de luxo e passa a funcionar como uma espécie de Tremembé doméstico, onde decisões extremas se impõem sem direito a recurso.
Fonte OFuxico