A Vigilância Sanitária de Imbituba apreendeu medicamentos à base de tirzepatida durante uma ação de fiscalização realizada nos últimos dias em clínicas de estética e de nutrição do município. O produto estava sendo mantido em estoque e vendido diretamente às clínicas, prática proibida pela legislação sanitária.
Segundo o órgão, a tirzepatida, substância utilizada no Mounjaro, um dos medicamentos mais procurados atualmente para perda de peso, é de uso controlado e exige rigor no processo de manipulação, prescrição e comercialização. Diante das irregularidades, os produtos foram apreendidos e os responsáveis autuados.
A Vigilância esclarece que, embora a manipulação da tirzepatida seja permitida no Brasil, ela só pode ocorrer dentro de critérios rígidos definidos pela Anvisa, como insumo com pureza comprovada, rastreabilidade da cadeia de origem, manipulação em ambiente estéril, produção sob demanda para um único paciente, prescrição individual e proibição de estoque ou produção em série.
Fiscalização
O órgão reforça que clínicas de estética e de nutrição não têm autorização para comercializar medicamentos, especialmente os injetáveis, que oferecem riscos à saúde quando utilizados de forma inadequada.
Segundo a Vigilância Sanitária, as fiscalizações em Imbituba seguirão ocorrendo de forma rotineira e, quando necessário, de maneira intensificada em todo o município. A pasta orienta que denúncias podem ser feitas pelos canais oficiais da prefeitura de Imbituba, contribuindo para a proteção da saúde e o cumprimento da legislação.
Entidades já alertaram sobre os riscos à saúde
Em janeiro, os medicamentos à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, e de retatrutida, de todas as marcas e lotes, tiveram sua comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso proibidos pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa).
Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras do Paraguai”.
Segundo a agência, esses medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e são vendidos “sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa”.
Já no ano passado, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgaram nota na qual alertavam a população sobre “graves riscos” associados ao uso de medicamentos injetáveis de origem alternativa ou manipulados para tratar obesidade e diabetes.
O uso de versões alternativas ou manipuladas, segundo as entidades, carece de bases científicas e regulatórias que garantam eficácia, segurança, pureza e estabilidade do produto, “expondo os usuários a sérios riscos, pois não passam pelos testes necessários”.
Fonte: Diário do Sul