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Foto: Reprodução

Crescimento no número de seguidores e manutenção do selo de verificação na plataforma irritaram internautas, após exposed de agressão

As cenas dos episódios de violência vividos por Pamella Holanda durante o relacionamento com DJ Ivis levantaram muitas polêmicas nas redes sociais. Entre elas, o questionamento sobre as responsabilidades do Instagram diante de casos como esse, que mexem com a opinião pública.

Débora Diniz, antropóloga, professora licenciada da Universidade de Brasília (UnB) e colunista do El País, foi uma das formadoras de opinião a levantar o debate nas redes. Em um post intitutalo “Instagram dá palco para agressores de mulheres”, Débora questiona o motivo pelo qual a plataforma “derruba vídeos por moralismo puritano”, enquanto “permite que agressores de mulheres mantenham as contas com selo certificado”.

“O agressor de Pamella está aí com quase um milhão de seguidores. Não me interessa quem são essas pessoas: se machos como ele, ou se abutres da tragédia alheia. Até a conta do agressor de Pamella ser cancelada, todos os dias, iniciarei minhas publicações com essa frase: Instagram dá palco a agressores de mulheres”, escreveu a pesquisadora.

Questionamentos similares ao de Diniz também invadiram o Twitter. “O cara agride a mulher, faz vários Stories para se justificar e só comprova ser completamente abusivo e ao invés do Instagram banir o perfil, ele ganha centenas de milhares de seguidores. É a rede social mais porca da internet mesmo. Só se preocupa se aparece mamilo”, comentou o chef de cozinha e colunista do MetrópolesAndré Rochadel.

Procurada pelo portal, a equipe do Instagram disse que não comenta casos envolvendo contas específicas. Segundo as regras da rede, o selo de verificação não representa qualquer chancela da plataforma, exceto a comprovação de que a conta de fato pertence à pessoa a qual diz se tratar.

Segundo as políticas do site, um usuário só é banido quando infrige alguma das diretrizes da comunidade, que incluem o uso simbolos ou discurso de ódio, bullying ou assédio, além de nudez ou atividade sexual. Dessa forma, não basta que Ivis tenha sido exposto em cenas de agressão.

Para que a conta fosse removida, seria necessário que ele postasse conteúdos considerados inadequados. Ou seja, a onda de publicações denunciando a conta do artista dificilmente será suficiente para que ele seja banido, já que seus posts se resumem, basicamente, a vídeos e imagens promocionais de músicas.

Nem só de prejuízo vive um cancelado

De acordo com Issaaf Karhawi, doutora e pesquisadora em Comunicação Digital na USP, o aumento de seguidores no perfil de DJ Ivis pode ser explicado por um fenômeno chamado “economia da atenção” — uma vez que é justamente a atenção das pessoas que gera renda para as redes e pros artistas que estão inseridos nelas.

“Gera muito espanto e indignação, afinal testemunhamos imagens de um crime. Mas toda exposição nas redes pode gerar duas reações. Quando falamos em cancelamentos, por exemplo, é comum pensarmos em como a pessoa cancelada pode perder seguidores, ter a carreira ameaçada etc. O que perdemos de vista é o outro lado do cancelamento: às vezes, o pronunciamento mais absurdo, a ação mais deplorável ganha tamanha visibilidade que alcança pessoas que concordam com aquilo e que, opostamente ao que imaginamos, decidem começar a acompanhar o ‘cancelado’ nas redes”, analisa Issaaf.

Segundo a especialista, a gesto de dar seu “follow” apenas para acompanhar os desfechos de um caso ou poder demonstrar indignação nos comentários disponíveis apenas para seguidores, acaba, nesse caso, agregando ganhos ao artista. “Seguir alguém é conferir legitimação àquela pessoa, é reconhecê-la como legítima, digna da nossa atenção. É dar a moeda mais importante do nosso tempo – a atenção, a visibilidade, números. Tudo isso é valioso na economia das redes sociais”, afirma.

Ela enfatiza que apesar do debate ter sido inserido na esfera digital, as reações são reflexo das ideiais que surgem off-line. “São apenas um transporte, para um outro local, das reações que teríamos em qualquer outra circunstância da vida. Afinal, ainda que falemos de algoritmos e inteligências artificiais, as redes são feitas de pessoas”, completa.

Fonte: Metrópoles

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