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26 de agosto de 2021 Caso Raulzito: Vítima relembra abusos sexuais na infância

Foto: Reprodução

A prisão do influenciador digital Raulino de Oliveira Maciel, conhecido como Raulzito, indiciado por estupro de menores, trouxe sensação de alívio para um tubaronense de 29 anos. Porém, os abusos cometidos pelo youtuber de games dificilmente serão apagados da memória desse jovem. Em conversa com o Diário do Sul, ele relatou como conheceu Raulzito, como os abusos iniciaram e quais as consequências que os atos provocaram.

Raulzito foi preso em julho deste ano, em Florianópolis, suspeito de abusar sexualmente de duas crianças do Rio de Janeiro. O youtuber, que já morou em vários lugares do Brasil e do mundo, também já viveu em Tubarão, onde conheceu a vítima, que aceitou falar com o DS sem ser identificada. O primeiro contato entre eles aconteceu em 2001, em Tubarão. “Foi entre meus nove e 11 anos, pelos fatos que ocorreram na época e consigo me lembrar. Ele era parente de uma pessoa que vivia próximo e veio do Paraná para morar com eles”, explica o jovem.

Com o tempo, Raulzito teria conquistado a confiança da família e passou a se aproveitar disso. “Primeiro, começaram as carícias, presentes, depois foi avançado, desde beijos na boca, masturbação, até chegar no sexo. Lembro que uma das tentativas foi na casa dos pais dele, quando os mesmos moraram uma época na cidade”, relembra.

“Como ele era considerado uma pessoa de confiança, ele tinha liberdade para nos levar nos lugares. Lembro de abusos que aconteceram em parques aquáticos, em uma escola onde ele dava aula, na casa dos parentes dele. Foram anos de abusos e eu demorei bastante tempo para entender que não tinha maturidade para decidir ou perceber o que era certo ou errado”, ressalta a vítima.

“Perdi a inocência, literalmente”, diz jovem

A coragem para denunciar o caso veio em 2018. “Procurei a Polícia Civil, de Tubarão, e fui informado que o crime já havia prescrito e que eles não poderiam fazer nada. O que eu poderia fazer, segundo eles, era procurar um advogado para processar o autor do crime. Como isso envolve muitas questões, e eu não tinha como provar, deixei por isso. Ano passado, em agosto, acabei descobrindo que o crime não havia prescrito ainda. Procurei o abusador na internet e vi que ele tinha um canal de games para crianças”, relata.

Por conta da pandemia, ele registrou um boletim de ocorrência on-line, mas disse que, até então, não teve nenhum retorno. Ele também procurou o Ministério Público e, nesse meio tempo, descobriu que Raulzito foi preso, em Florianópolis, no dia 27 de julho. Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, entre os meses de fevereiro e maio deste ano, o youtuber cometeu abusos sexuais contra duas crianças, de dez e 11 anos, por pelo menos quatro vezes, na residência de uma delas, em Niterói. Outros sete casos suspeitos foram denunciados em São Paulo, Paraíba e Santa Catarina. Um outro morador de Tubarão também estaria entre as vítimas.

As consequências dos abusos praticados na infância ainda perseguem o jovem tubaronense. “Ele antecipou muito a minha parte sexual, eu sempre me cobrei como adulto depois que aconteceu isso. Eu perdi a inocência, literalmente. Tive um relacionamento há pouco tempo e alguns toques me remetem imediatamente ao que ele fazia e acaba me travando. Consigo identificar quando uma pessoa usa o mesmo perfume que ele usava. Em terapia, eu percebi que isso mexeu muito comigo com relação à dependência em outras pessoas. Mas a prisão dele me deu um alívio. Sempre alguém pode ser evitado de ser abusado. Por isso, esse assunto tem que ser falado”.


DENÚNCIA

O influenciador Raulzito contava com mais de 200 mil seguidores em apenas uma de suas redes sociais, a imensa maioria constituída por crianças e adolescentes, uma vez que os jogos eram voltados para o público infanto-juvenil. Segundo a denúncia do Ministério Público, “o denunciado, aproveitando-se do seu papel de celebridade, escolhia crianças com idade entre dez a 11 anos, direta ou indiretamente ligadas ao meio artístico, e invariavelmente de cor branca, cabelos lisos e longos. A aproximação se dava, normalmente, por meio do aplicativo Instagram, fonte de informações sobre as crianças e familiares”. De acordo com o artigo 217-A do Código Penal, a pena pelo crime de praticar ato libidinoso com menor de 14 anos é de oito a 15 anos de reclusão. Ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, um outro tubaronense, de 28 anos, também relatou que sofreu abusos por parte de Raulzito. Na época, ele tinha 11 anos. Segundo o jornal, por conta do trauma, a vítima começou, ainda na adolescência, a usar drogas e ter tendências suicidas.

Pais devem ter cuidado

A delegada titular da Delegacia de Polícia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami), de Tubarão, Jucinês Ferreira, explicou que teve acesso ao caso do jovem tubaronense ouvido pelo DS. Segundo a delegada, na época, a pena máxima para o crime cometido contra ele era menor, o que também implicava em período menor de prescrição. Fato que substancialmente foi alterado com a legislação atual, cuja pena máxima tem patamar maior. “Mas o caso foi analisado, com atenção, e foi feito um despacho fundamentado esclarecendo a situação”, relata a delegada. Jucinês ressalta ainda que os pais devem tomar mais cuidado com o que os filhos consomem, principalmente agora durante a pandemia. “Algumas crianças ficam livres, com jogos e programas, onde elas têm contato com outras pessoas que não conhecem. É preciso ficar atento ao conteúdo que os filhos têm acesso. Caso os pais notem que os filhos estão sofrendo algum tipo de abuso, eles devem procurar imediatamente a delegacia. Levar junto o celular ou o computador, onde estão as conversas ou outras provas, para que elas possam ser analisadas”, ressalta.

Fonte: Diário do Sul

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