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29 de outubro de 2020 Após cobrança de associações judaicas, governadora de SC diz ser contrária ao nazismo

Ao tomar posse, Daniela Reinehr tinha sido questionada por jornalista se concordava com a opinião do pai dela, que, segundo ele, é professor de história e já negou o Holocausto em sala de aula. Entidades judaicas cobraram resposta ‘veemente’ após ela não se posicionar contra nazismo.

A governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), afirmou em nota nesta quinta-feira (29) que é contrária ao nazismo. A declaração foi dada após cobrança da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e da Associação Israelita Catarinense (AIC) por uma resposta “veemente” dela de “repulsa ao negacionismo da tragédia que foi o Holocausto”.

Durante a primeira entrevista coletiva após substituir o governador afastado Carlos Moisés (PSL), realizada na terça-feira (27), o jornalista questionou se Daniela concordava ou discordava de seu pai sobre o nazismo. A resposta sem um posicionamento gerou críticas e após quase 48 horas ela voltou a se manifestar sobre o assunto.

“Sou contrária ao nazismo, assim como sou contrária a qualquer regime, sistema, conduta ou posicionamento que vá contra os direitos individuais, garantias de segurança ou contra a vida das pessoas, e sinceramente, pensei ter deixado isso claro quando fui questionada”, disse.

Ela também disse em nota que compreendeu os pedidos de manifestação. “Consigo entender a reação das pessoas ante o posicionamento que me imputaram, e principalmente porque isso aconteceu de forma injusta. […] Sou amiga de Israel e dos judeus, e qualquer ilação contrária não corresponde com a verdade”, afirmou.

Questionamento na coletiva

No questionamento, o pai da governadora José Altair Reinehr, que é professor de história é citado, e segundo o jornalista, ele negou o Holocausto judeu em sala de aula. Veja a pergunta:

“No começo da sua fala, a senhora agradeceu sua família. Seu pai, como professor de história, pregava em sala de aula o negacionismo do Holocausto judeu, inclusive utilizando livros de uma editora que foi condenada por contar mentiras sobre a Segunda Guerra Mundial. Agora que a senhora é governadora de Santa Catarina, a gente quer saber qual é a sua posição, se a senhora corrobora com essas ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto?”.

Daniela afirmou que havia acabado de ser julgada por atos de terceiros e gostaria de ser responsabilizada apenas pelos próprios atos.

“Eu realmente não posso responder, ser julgada ou condenada por aquele ou esse pensamento. Eu respeito, volto a dizer, eu respeito as pessoas, independente do seu pensamento, eu respeito os direitos individuais, e qualquer regime que vá contra o que eu acredite, contra esses elementos que eu disse, eu repudio. Existe uma relação e uma convicção que move a mim e a todos os senhores que se chama família. E me cabe, como filha, manter a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento”, afirmou.

Em outro trecho da resposta, ela relembrou o julgamento que sofreu e foi absolvida no caso do aumento salarial aos procuradores do Estado.
“Eu realmente espero que eu seja julgada, novamente, que os atos sejam apartados como foi na comissão mista que eu batalhei desde o início. Eu não quero ser arrastada por atos de terceiros, por convicções de terceiros. As minhas convicções estão muito claras nas minhas redes sociais há muito tempo”, disse.
Daniela assumiu o cargo de Moisés, após ele ter sido afastado pelo Tribunal Especial de Julgamento. O processo envolvia os dois mandatários e do qual a denúncia contra Daniela, foi rejeitada com um voto de desempate.

Crítica das entidades

Após a resposta da governadora, a Conib e a AIC pediram que Daniela “demonstre de forma inequívoca sua rejeição às ideias que levaram ao extermínio de 6 milhões de judeus inocentes, além de outras minorias e adversários políticos e provocaram uma guerra que devastou a humanidade”.
A nota é assinada por Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e Sergio Iokilevitc, presidente da AIC.
“A governadora deve, de forma veemente, manifestar sua repulsa ao negacionismo da tragédia que foi o Holocausto”, pede o comunicado.

Fonte: G1 SC

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