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22 de janeiro de 2021 Alagamentos, frio e até granizo: o que acontece com o tempo em 2021?

As três primeiras semanas do ano foram marcadas por uma grande quantidade de eventos extremos em SC; entenda as causas e o que esperar nos próximos meses

Em apenas três semanas, o ano de 2021 já registrou uma grande quantidade de inundações, deslizamentos, baixas temperaturas e até queda de granizo em pleno verão em Santa Catarina.

O alagamento em Joinville, no Norte do Estado, já no primeiro dia do ano, foi uma cena que se repetiu diversas vezes nas semanas seguintes. Mas afinal, o que explica esta quantidade atípica de eventos extremos em período tão curto de tempo?

De acordo com uma especialista consultada pelo ND+, esses efeitos são um reflexo de um desequilíbrio climático que ocorre em todo planeta.Alagamento no Rio Vermelho, Norte da Ilha de Santa CatarinaEventos extremos ocorrem com alta frequência no início de 2021 – Foto: Defesa Civil/Divulgação

A professora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), especializada em geociências, meteorologia e climatologia, explica que, apesar de esperados, os eventos extremos em Santa Catarina estão ocorrendo em uma frequência muito maior do que o normal.

“De vez em quando você pode ter sim uma variação para cima ou para baixo nas temperaturas, um evento extremo aqui, outro ali… mas o que a gente está vendo são extremos mais frequentes do que o esperado”, diz.

Segundo Hirota, há uma explicação física para isso. “Imagine que você tenha um lago, que está parado, em perfeito equilíbrio. Agora pense que você, externamente, perturbe esse sistema, jogando uma pedra. Isso vai gerar uma leve oscilação, uma onda. Então imagine que você jogue outra pedrinha, e outra, e outra… vão se formar várias ondas, e elas depois vão interferindo umas nas outras até causar algumas anomalias”, exemplifica.

De acordo com a professora, o que acontece no planeta Terra, de forma geral, é parecido com esta analogia, de acordo com a professora da UFSC.

“O que está acontecendo são forçantes, diferentes formas de você perturbar um sistema que demorou milhões e milhões de anos para entrar nesse equilíbrio. Então imagine uma perturbação extra, que não fazia parte do sistema e agora está fazendo, que somos nós, em uma grande quantidade no planeta. Isso causa uma perturbação que, depois que acontece, demora um tempo para estabilizar de novo”, afirma a especialista.

Os eventos extremos ficam mais intensos, mais frequentes, e mais visíveis às populações, conforme alerta Marina Hirota.

“Vamos conseguir vê-los mais, até porque mais gente vive em lugares que eles são mais frequentes. Quando tem perda na população, danos socioeconômicos, esses eventos ficam mais evidentes”, explica.

A especialista ressalta que certos muitos eventos climáticos são desconsiderados pela população, mas também são efeitos do aquecimento global.

“A expressão ‘aquecimento global’ é meio ingrata, porque as pessoas pensam que vai só esquentar, mas não. Na verdade você pode ter extremos de muito frio também, como o que aconteceu na Serra nesse verão”, relembra.2021 registra alagamentos, frio e até granizo nas primeiras semanasChuva de granizo ocorreu em Bom Retiro, na Serra catarinense, no dia 2 de janeiro de 2021, em pleno verão – Foto: Reprodução/Redes sociais

No dia 2 de janeiro, em pleno verão, uma forte chuva de granizo mudou a paisagem de Bom Retiro, na Serra catarinense. O que é mais um exemplo de eventos atípicos nesse início de ano em Santa Catarina.

“É um desequilíbrio, isso significa que a gente está em uma fase que chamamos tecnicamente de transiente. É como se o sistema estivesse perturbado e buscando esse novo equilíbrio e se ajustando a ele. E nesse momento, é que esses eventos extremos vão acontecer com muito mais frequência e intensidade, e a gente vai perceber isso, com a raça humana vivendo em muito mais lugares do planeta do que antes”, conclui a especialista.

O que esperar para os próximos meses

De acordo com a meteorologista da Epagri/Ciram, Gilsânia Cruz, a condição de chuvas acima da média desde o mês de dezembro era esperada no Estado.

Ela explica que a estiagem que atingiu Santa Catarina com força na metade do último ano provocou um aumento de precipitações para este verão.

“A gente ainda tem uma previsão de que o restante de janeiro e o fevereiro ainda tenha essa condição de chuva mais frequente, de valores acima da média principalmente no Litoral. Então com certeza segue a ocorrência também dos temporais com mais frequência. Essa condição começa a diminuir apenas depois de março”, alerta.

No entanto, ela ressalta que não há como prever com tanta antecedência quando e onde irão ocorrer eventos climáticos extremos.

“Quando a gente vai prever esses extremos, a gente consegue saber com uma antecedência menor, vamos fazer avisos com 24h, 48h de antecedência. Por isso, a população tem que estar sempre de olho nos avisos diários”, lembra a meteorologista.

Riscos de alagamentos e deslizamentos segue até sexta (22)

Nos últimos dias, o Estado novamente registrou temperaturas baixas e uma chuva intensa, que provocou alagamentos e estragos em várias regiões.

alerta de chuvas fortes em Santa Catarina permanece até a sexta-feira (22), ainda com riscos de deslizamentos de terra e inundações, de acordo com a Defesa Civil.

Fonte: ND+

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